Morten Hjulmand voltou a ser tema central no futebol português, não apenas pelo que faz com bola, mas sobretudo pelo controlo total que exerce sobre tudo o que o rodeia dentro das quatro linhas. Poucos médios em Portugal conseguem influenciar tanto o ritmo de uma partida, as decisões dos colegas, a reação dos adversários e até a forma como os árbitros interpretam cada lance. O internacional dinamarquês transformou-se numa peça estruturante do Sporting e num caso raro de inteligência competitiva ao mais alto nível.
Desde que chegou a Alvalade, Hjulmand tornou-se muito mais do que um médio defensivo. É ele quem dita o compasso do jogo, ajusta o posicionamento coletivo, impõe agressividade quando é necessária e sabe travar transições com faltas táticas cirúrgicas. Não é exuberante, não precisa de o ser: é eficaz, constante e sempre presente nos momentos que realmente decidem uma partida. A equipa bicampeã criou raízes no seu entendimento tático e na forma como lê cada segundo do encontro.
A influência do dinamarquês também se vê na comunicação dentro de campo. Hjulmand fala com os árbitros no timing certo, pressiona quando convém e sabe usar a linguagem corporal para ganhar pequenas batalhas emocionais que, somadas, moldam o jogo. Não se trata de ser “intocável”, como alguns argumentam; trata-se de saber usar o jogo a seu favor. E, num campeonato onde muitos árbitros vacilam perante decisões difíceis, quem domina estas subtilezas parte sempre com vantagem.
José Mourinho, no rescaldo do dérbi, destacou precisamente essa capacidade: Hjulmand “manda no jogo”. As reações dividiram opiniões e reacenderam discussões estatísticas, mas a verdade é simples — poucos jogadores leem o campo com tanta clareza. E, mesmo que não seja o nome mais sonante do plantel, é sobre ele que assenta grande parte do sucesso recente do Sporting.
Para os adversários, é frustrante enfrentar alguém que parece estar sempre um passo à frente. Para os sportinguistas, é um privilégio. E para qualquer treinador, Mourinho incluído, seria certamente um jogador desejado.
Hjulmand não joga apenas futebol. Ele dirige o jogo. E quase sempre, da forma certa.







