José Mourinho saiu satisfeito do Estádio da Luz depois da vitória por 2-0 frente ao Nápoles, um resultado que manteve o Benfica na corrida pela continuidade na Liga dos Campeões. O treinador elogiou a exibição sólida da equipa, destacando que, pela primeira vez em várias jornadas, viu um conjunto “forte do primeiro ao último minuto”, capaz de responder a um adversário exigente e com qualidade individual reconhecida.
Segundo Mourinho, a estratégia preparada para o encontro foi executada com rigor. A mobilidade de Ivanovic, que explorou a profundidade para contrariar o bloco italiano, foi um dos pontos sublinhados pelo técnico. A equipa, referiu, mostrou coesão defensiva, maturidade com bola e uma leitura tática que dificultou por completo o plano de jogo napolitano. “Será muito duro para quem tenta atacar o Benfica. Hoje tornaram isso evidente”, afirmou.
Questionado sobre a irregularidade demonstrada no dérbi com o Sporting, Mourinho garantiu que a preparação não mudou, mas reconheceu que o erro inicial nesse jogo condicionou a confiança. Frente ao Nápoles, o cenário foi completamente diferente: intensidade, foco e estabilidade durante toda a partida. O treinador reforçou que a evolução tem sido gradual, com o grupo a aprender a superar limitações enquanto desenvolve novas soluções.
Quanto ao eterno sonho dos adeptos de conquistar um título europeu, Mourinho pediu realismo: “Não é pressão, é apenas irrealista falar em ganhar a Champions neste contexto.” Ainda assim, sublinhou que ambição não falta, quer aos jogadores, quer a si. Para já, o objetivo mantém-se claro: sobreviver na fase de grupos e chegar vivo às duas jornadas finais.
Sobre a qualidade exibicional da equipa, recusou rótulos artísticos. Preferiu focar-se no progresso coletivo, lembrando que o Benfica começa a construir melhor, com mais paciência e criatividade. “Já jogamos qualquer coisa”, ironizou, admitindo que o segundo golo poderia ser considerado “nota artística” se fosse marcado por outra equipa mais mediática.
Mourinho deixou ainda elogios a dois jogadores em destaque: Ríos e Barreiro. Para o treinador, a personalidade de ambos tem sido crucial num período em que o Benfica “leva paulada de todo o lado”. O técnico explicou que Ríos precisa de liberdade para explorar o campo e que a ligação com Barreiro e Aursnes tem permitido criar equilíbrio e potenciar o talento do médio. “Tentaram rebentar com ele, mas não conseguiram. Ele é mesmo um grande jogador”, atirou.
No fim, envolveu-se num momento mais descontraído ao levantar o saco que levava consigo: uma camisola de Scott McTominay, oferecida pelo próprio. A boa disposição contrastou com o discurso sério sobre o futuro — Mourinho sabe que a equipa ainda não está no ponto, mas acredita na evolução: “Estamos longe do que quero, mas estamos a esconder bem as limitações e a valorizar as nossas qualidades.”
Com esta vitória europeia, o Benfica recupera fôlego e continua a acreditar. Mourinho, por sua vez, vê sinais claros de crescimento — e garante que a luta não acabou.







