O ambiente no Estádio da Luz tem sido de emoções fortes sob o comando de José Mourinho. O experiente técnico português de 63 anos tem sido vocal nas suas críticas à finalização da equipa, lamentando frequentemente a falta de “instinto matador” das águias. No entanto, os números contam uma história que parece contradizer o pessimismo do treinador: o Benfica vive uma onda goleadora histórica em casa que já dura há quase quatro anos para as competições nacionais.
A Insatisfação de José Mourinho: O Dilema da Finalização
Recentemente, após o empate sem golos frente ao Tondela e a vitória tangencial por 2-1 contra o Alverca, Mourinho não poupou palavras. O técnico queixou-se da “fraca relação entre oportunidades criadas e oportunidades concretizadas”. Para o “Special One”, a equipa produz futebol suficiente para goleadas tranquilas, mas acaba por sofrer até ao apito final devido ao desperdício ofensivo.
No jogo contra o Alverca, no último domingo (9 de fevereiro de 2026), a Luz assistiu a mais um episódio deste drama. Apesar do domínio territorial, a vitória só foi garantida com golos de Schjelderup e do jovem prodígio Anísio Cabral. Mourinho saiu de campo com a sensação de “mais uma noite mal dormida”, mas talvez o técnico devesse olhar com mais atenção para os registos históricos que o seu plantel continua a alimentar.
Uma Série Esmagadora: 72 Jogos a Marcar na Luz
Embora Mourinho sinta que a bola custa a entrar, a verdade é que o Benfica não fica em branco no Estádio da Luz para provas nacionais (Liga Portugal, Taça de Portugal e Taça da Liga) há 1376 dias. Esta marca é absolutamente avassaladora e resiste a crises de resultados, mudanças de sistema tático e trocas de treinador.
São, neste momento, 72 jogos consecutivos a balançar as redes adversárias perante o seu público. Neste período de quase quatro anos, o registo é digno de um campeão:
- 60 Vitórias
- 10 Empates
- Apenas 2 Derrotas (frente a rivais diretos como FC Porto e SC Braga)
O Fantasma de Zaidu: A Última Vez que a Luz Não Celebrou
Para encontrar a última vez que o Benfica ficou a “zeros” em casa em competições internas, temos de recuar até 7 de maio de 2022. Naquela altura, a equipa era liderada por Nélson Veríssimo e enfrentava o FC Porto de Sérgio Conceição.
Num jogo que decidiu o título da época 2021/22, o golo solitário de Zaidu Sanusi aos 90+4 minutos não só deu a vitória e o campeonato aos dragões, como marcou a última vez que um adversário saiu da Luz sem sofrer golos. Desde essa tarde de maio, nenhum outro clube português conseguiu repetir o feito de travar o ataque encarnado no seu reduto.
De Roger Schmidt a Mourinho: O Legado Goleador
Esta onda goleadora não é mérito de apenas um homem, mas sim de uma consistência institucional. Três treinadores diferentes contribuíram para que o registo chegasse aos 72 jogos:
Roger Schmidt: O alemão foi o grande impulsionador da série, mantendo a eficácia ofensiva durante a conquista do título.
Bruno Lage: Na sua passagem, deu continuidade ao registo, garantindo que a transição não afetasse o rendimento na Luz.
José Mourinho: Apesar das queixas públicas, Mourinho já somou 12 partidas na presente temporada sem nunca ficar em branco em casa (8 vitórias e 4 empates).
O Surgimento de Anísio Cabral e o Fator Pavlidis
A análise de Mourinho sobre a eficácia foca-se muito nos nomes. Vangelis Pavlidis, cujo valor de mercado é frequentemente debatido em torno dos 60,5 milhões de euros, é o principal alvo das exigências. O grego trabalha imenso para a equipa, mas o treinador quer mais frieza no momento do remate.
Por outro lado, a “onda” tem sido mantida por novos heróis. Anísio Cabral tornou-se o nome do momento. No jogo contra o Alverca, o jovem precisou de apenas alguns segundos em campo para marcar e fazer a “Luz ir abaixo”. Este tipo de eficácia imediata é precisamente o que Mourinho pede. Além dele, Schjelderup e Prestianni são vistos como os talentos que fazem o Benfica crescer e garantem que a série goleadora não termine tão cedo.
O Que Esperar do Futuro das Águias na Liga?
O Benfica enfrenta agora um calendário exigente. A “onda goleadora” será testada contra adversários de maior bloco defensivo, e o desafio de Mourinho será alinhar a sua visão tática com a capacidade finalizadora de jogadores como Pavlidis.
A pressão sobre os avançados é enorme, mas a história está do lado deles. Se o Benfica mantiver esta tendência, poderá chegar a marcas nunca antes vistas no futebol moderno português, calando, de uma vez por todas, as críticas à finalização.
Conclusão: O Recorde vs A Exigência de Mourinho
Em suma, o Benfica vive um paradoxo. Por um lado, o treinador José Mourinho mostra-se insatisfeito com a qualidade da finalização. Por outro, o clube atravessa um dos períodos de maior consistência ofensiva da sua história no Estádio da Luz. Para o adepto do MO Jogo, fica a garantia de que a rede vai balançar.







