O futebol português voltou a ser palco de polémica judicial e desportiva, desta vez envolvendo o Sporting e o antigo avançado dinamarquês Signe Harder. O Supremo Tribunal Administrativo decidiu anular a suspensão aplicada ao jogador da época passada, mas a decisão chega tarde: Harder já havia cumprido o castigo num jogo posterior e, entretanto, deixou o clube verde e branco.
O caso remonta ao jogo do Sporting contra o Santa Clara, disputado nos Açores na temporada passada, em que Harder foi expulso após gritar um simples «Yeah» no final do encontro. A medida foi considerada pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) como uma atitude passível de punição disciplinar, impondo ao avançado um jogo de suspensão.
O Sporting não concordou com a decisão e tentou recorrer do castigo, solicitando a suspensão até que houvesse uma decisão final. No entanto, o processo arrastou-se e, com a demora do Conselho de Disciplina em proferir o veredito, o clube não conseguiu impedir que Harder cumprisse o castigo no jogo seguinte, na receção ao Moreirense (jornada 30).
Agora, meses depois, o Supremo Tribunal Administrativo decidiu dar razão ao Sporting, anulando a suspensão de Harder e mostrando-se contrário ao parecer da FPF. A decisão confirma que o castigo imposto inicialmente não tinha fundamentos legais sólidos e poderia ter sido evitado se o processo tivesse sido mais célere.
Para os adeptos, a situação é dupla: por um lado, há um certo alívio por ver que o tribunal reconheceu que Harder foi injustiçado; por outro, surge a frustração por a decisão ter chegado quando o jogador já não está mais no clube, tornando o reconhecimento simbólico, mas sem efeito prático para o plantel atual.
O caso de Harder levanta ainda questões sobre a eficiência dos processos disciplinares no futebol português. A lentidão em julgar casos pode levar a injustiças temporárias, afetando equipas, jogadores e o espetáculo desportivo. Especialistas apontam que a situação ilustra uma falha estrutural que deve ser revista urgentemente, sobretudo quando os clubes tentam recorrer a decisões que consideram injustas.
Apesar da polémica, Harder continuará a ser lembrado pelos adeptos verdes e brancos por seu talento em campo e por este episódio que, curiosamente, tornou-se uma mancha administrativa em vez de desportiva. O dinamarquês deixou o Sporting, mas o caso será sempre citado como exemplo de uma suspensão contestável que só agora encontrou resolução legal.
Para os fãs de futebol, esta é mais uma história que prova que no desporto não só a performance dentro de campo conta, mas também a forma como processos administrativos e decisões disciplinares são conduzidos. O Sporting sai do episódio com a razão, mas sem benefícios práticos, enquanto a FPF terá de refletir sobre os atrasos e o impacto das suas decisões.
O tribunal fechou o caso, mas a discussão sobre justiça e eficácia no futebol português continua a aquecer conversas nos corredores dos clubes e nas redes sociais.







